
Como bem sabemos, um país e a sua história constroem-se a partir da tradição, dos costumes, da gastronomia, da música, da cultura… e do misticismo. Ao mantermos as lendas vivas, alimentamos as raízes do país, não pela sua “fidedignidade”, mas pelo simbolismo e pela moralidade que carregam, contribuindo, assim, para a construção da identidade coletiva.
Vejamos, por exemplo, Coimbra: uma cidade do saber, cuja beleza permanece intocada pelo impiedoso tempo… Como é que terá surgido o nome ‘Coimbra’? O que simbolizam a rainha de manto prateado, o dragão verde e o leão dourado presentes no brasão? Em Lendas de Coimbra, de Alice Cardoso, desvendamos essas respostas e muito mais.
Desde batalhas entre povos bárbaros e lutas contra cobras gigantes até amores proibidos e pão transformado em rosas, acompanhamos o nascimento da cidade que hoje conhecemos como Coimbra, baseado em cinco das suas lendas mais populares. Através de uma escrita envolvente e poética e traços suaves, mas firmes, em cores neutras e frias, somos transportados ao passado por meio de ilustrações de conquista e olhares carregados de secretismo e mágoa.
Curiosamente, esta edição inclui não só uma versão em inglês no verso da contracapa, como também uma componente auditiva: um QR Code que dá acesso às lendas cantadas por Buga Lopes e Vânia Couto, tornando a experiência de leitura mais vívida, inclusiva e acessível.
Assim, a obra assume uma vertente didática ao dar a conhecer um pouco da cultura de Coimbra a jovens leitores curiosos e apaixonados por História. No fim de contas, as lendas não nos definem, mas enriquecem-nos e enaltecem-nos enquanto comunidade.
Cardoso, Alice. (2025). Lendas de Coimbra. 2.ª edição. Ilustração: Anabela Pedrosa. Recortar Palavras.
Raquel Seiça


