No Reino do Diz-Que-Disse

No Reino do Diz-Que-Disse

andava tudo variado.

Uns diziam que sim,

outros diziam que não

e outros diziam “Talvez!”

.

A mãe do Tó dizia:

– Tragam‑me o trenó para ir

buscar o pão ao quintal,

que hoje o chão quer escorregar

e faz cócegas no calcanhar!

.

O Tó ria-se baixinho,

com o cão Zico ao lado,

que abanava o focinho

num compasso acelerado.

.

A irmã, a Tininha,

saltava num só pé,

a fingir que era uma cegonha

que tinha perdido o boné.

.

E o avô, lá do galinheiro,

gritava todo contente:

– As galinhas hoje rimam,

é um dia diferente!

A Dona Pita dizia “Pó!”,

a outra respondia “Pé!”,

e o galo, muito vaidoso,

cantava no cimo da chaminé.

.

No meio desta algazarra

chegou o amigo Damião,

com um saco de brincadeiras

e um sorriso de algodão.

.

Vamos todos construir

uma torre até ao céu!

– Só se o vento ajudar!

respondeu o pardal

vindo de Viseu…

– E lá vou eu, lá vou eu!

.

E assim, entre gargalhadas despenteadas,

entre o “sim”, o “não” e o “talvez!”,

os pequenos aprenderam

que a alegria aparece

quando o dia faz piruetas

e o coração vai a pé

 às costas de um caracol.

.

No Reino do Diz-Que-Disse

tudo acaba em gargalhada,

porque, ali, cada palavra

é sempre uma festa disfarçada.

.

Sofia Amélia

Descobre mais sobre a autora em https://www.sofiaamelia.com

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