
Primeiro veio o som. O som da voz paterna enrolado no aconchego do cobertor. A história contada ao adormecer. A criar imagens, movimento, encantamento. A alegria infantil da descoberta de um novo mundo navegando pela palavra dita. Onde me leva? Onde? Mesmo sendo a mesma história, é sempre uma nova história. No mundo da criança, ou da minha criança amiúde escondida, a novidade segue o seu caminho. É um caminho diferente do do mundo dos adultos. Um caminho onde a repetição apetece. Sempre a novidade. Uma palavra que se descobre. Que sai do seu mistério e se desvenda. Uma entoação. Uma pausa. Uma interrupção em momentos diversos. E depois? Depois? Depois… Assim é. Não se descarta facilmente uma história. Noite após noite após noite, semana após semana, após mês. Aquela história. O mesmo encantamento. Em contínua descoberta. Com o som da tua voz. Pai. Ao adormecer. No carinho das palavras. Caminho.
Sara Alfenim
[Site/blogue da autora: https://www.saraalfenim.com/]


