Sarah Luz: a jovem que leva a poesia ao YouTube

Por Teresa Dangerfield

Quem é Sarah Luz? 
13 anos
Vive em Leça da Palmeira
Criadora do canal de YouTube Poesia de Cor
Descobriu a poesia durante o confinamento
Lê, escreve e partilha poesia

Para Sarah Luz, jovem de 13 anos de Leça da Palmeira, a poesia não é apenas algo que se celebra uma vez por ano — faz parte do seu quotidiano. Durante o confinamento da pandemia, começou a ler poemas aos avós pelo telefone. Hoje, partilha essa mesma paixão com leitores de várias idades através do canal de YouTube Poesia de Cor.

Sarah fala de si com simplicidade:

“Sou uma jovem alegre, divertida e amiga do seu amigo, que gosta de brincar e de ser feliz. Adoro a escola, ler, praticar desporto e, acima de tudo, adoro poesia. Ler e escrever poesia fazem parte de quem eu sou.”

A história de Sarah mostra como a poesia pode nascer em momentos inesperados e tornar-se uma ponte entre pessoas.

Quando a poesia entrou na sua vida

Foi durante o confinamento provocado pela pandemia da Covid-19, em 2020, que a poesia entrou verdadeiramente na vida da jovem.

Sem poder ir à escola e passando muito tempo em casa, Sarah encontrou uma forma especial de manter o contacto com os avós: ler poesia ao telefone.

“Comecei a ler livros todos os dias de poesia aos meus avós. Foi nessa altura, quando tinha 8 anos, que comecei a interessar-me verdadeiramente pela poesia.”

Nesse mesmo período nasceu também a vontade de escrever.

“Nasceu em mim o bichinho de escrever poesia e de colocar no papel todos os sentimentos que tinha naquela altura tão difícil.”

A experiência marcou-a profundamente.

“Gostei tanto dessa experiência que, até hoje, ler e escrever poesia fazem parte do meu dia a dia.”

Do livro à câmara

O nascimento do canal Poesia de Cor

Com o apoio dos pais, Sarah criou o canal de YouTube Poesia de Cor, um espaço dedicado à leitura e partilha de poesia em língua portuguesa.

“A ideia nasceu com o objetivo de divulgar a poesia de língua portuguesa entre as crianças da minha idade e incentivar todos os jovens a gostarem de poesia e da leitura.”

Para Sarah, o projeto tem também um significado muito pessoal.

“A poesia foi luz para mim num tempo de escuridão no mundo; foi paz e magia num período difícil. Se a poesia me ajudou a sentir-me melhor, pensei que talvez pudesse ajudar outras pessoas também.”

Assim nasceu a vontade de partilhar poesia com outros leitores.

“Quis levar a língua portuguesa e os poemas a todos os povos lusófonos.”

“A poesia foi luz para mim num tempo de escuridão no mundo; foi paz e magia num período difícil.”

Poetas que a inspiram

A leitura ocupa um lugar central no quotidiano de Sarah e inspira também a sua própria escrita poética.

Entre os autores que mais marcaram o seu percurso está a escritora portuguesa Luísa Ducla Soares.

“A poeta que foi e ainda é uma grande inspiração para mim, e que hoje faz parte da minha vida, é a grande escritora portuguesa Luísa Ducla Soares. É uma amiga e uma escritora extraordinária. Sou muito grata por tudo o que fez por mim ao longo destes anos. Somos amigas de verdade e foi a poesia e os livros que nos juntaram. É uma amizade pura e genuína, como a beleza da própria poesia. Adoro todos os seus livros!”

Além desta relação especial, Sarah destaca outros autores que gosta particularmente de ler.

“Também gosto muito de ler Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyner Andresen, Ana Luísa Amaral, Filipa Leal e o genial Fernando Pessoa.”

Quando a poesia nasce da realidade

Embora a imaginação seja importante, Sarah explica que a sua inspiração surge sobretudo das experiências do quotidiano.

“O que mais me inspira é simplesmente o meu dia a dia, as minhas vivências e tudo aquilo que me rodeia. Pessoas, animais e sentimentos são muitas vezes a fonte de inspiração.”

Um dos poemas que mais a marcou chama-se “Menina Ucrânia”, escrito depois de ver notícias sobre a guerra.

“Fiquei muito revoltada com a violência e com o sofrimento que via nos telejornais. Pensei nas crianças da Ucrânia e senti vontade de escrever algo para elas e para o mundo.”

Recorda que escreveu o poema profundamente emocionada.

“Lembro-me de o ter escrito com lágrimas no rosto. Mesmo com tanta tristeza, quis deixar uma mensagem de esperança e um apelo à paz.”

A poesia como companhia

Para Sarah, a poesia tem também um papel importante na forma como lida com emoções.

“A poesia ajuda-me muito a ultrapassar situações difíceis. Quando escrevo ou leio poesia sinto que a minha alma acalma e que o coração fica mais sossegado.”

E acrescenta:

“Quem lê e escreve poesia nunca está verdadeiramente sozinho. Tal como os amigos, a poesia ajuda-nos a atravessar momentos menos bons com mais leveza.”

Partilhar poesia com os outros

A partilha é uma parte essencial do projeto Poesia de Cor. Perguntámos a Sarah como se sente ao divulgar os seus poemas e ao receber reações de quem os lê ou ouve.

“Partilho os meus poemas no meu canal de YouTube “Poesia de Cor” principalmente para incentivar jovens e adultos a ler poesia. O meu objetivo é partilhar o amor que tenho pela poesia.”

E acrescenta:

“É claro que adoro receber mensagens de apoio e de carinho de quem lê ou ouve os meus poemas. Isso transforma o canal num ponto de encontro para pessoas que realmente gostam de poesia.”

Essas mensagens tornam-se também uma motivação para continuar.

“Esses comentários dão motivação não só a mim, mas também a outras pessoas, para continuarem a ler e a escrever poesia.”

Um conselho para outros jovens

Para os jovens que gostariam de ler ou escrever poesia, Sarah deixa um conselho simples.

“Acredito que todos, sem exceção, têm jeito para a poesia. A poesia é como o ar que respiramos.”

O primeiro passo, diz, é ler.

“Larguem um pouco os telemóveis e peguem num livro. Leiam todos os dias.”

Para ela, a leitura é fundamental.

“A leitura é uma forma de alimentação e de higiene mental. Abre a nossa criatividade e imaginação. Ler é uma forma simples de viajar e de encontrar amigos.”

E conclui:

“Ler é uma forma muito democrática de ser feliz e essa riqueza de espírito dá-nos paz.
Ler é poder.”

“Acredito que todos, sem exceção, têm jeito para a poesia. A poesia é como o ar que respiramos.”

Após conceder esta entrevista, Sarah escreveu um poema especialmente para acompanhar este artigo. 
No texto, a jovem autora brinca também com a sonoridade do seu próprio nome — “Sarah” e “sara” — numa imagem de cura e esperança.

A POESIA SARAH

Há nomes que nascem de luz,
outros de brisa no olhar.
O da Sarah é de quem conduz
as palavras até sarar.

Porque há nomes que, sendo ditos,
fazem o mundo respirar.
E a poesia — essa irmã breve,
vem sorrir dentro da dor:

sara o tempo, sara a alma,
sara o medo, sara o amor.
E no som doce de “Sarah”
canta a cura do interior.

Poema de Sarah Luz ©

No Dia Mundial da Poesia, o exemplo de Sarah lembra que a poesia continua viva — não apenas nas páginas dos livros, mas também nas vozes de quem a lê, escreve e partilha. Com o seu canal Poesia de Cor, esta jovem mostra que a poesia pode nascer de gestos simples: abrir um livro, dar voz aos versos e acreditar que a literatura ainda tem o poder de aproximar pessoas. E, às vezes, basta um poema para começar.

Entrevista realizada por questionário.

Nota:

O poema A Poesia Sarah é da autoria de Sarah Luz. Todos os direitos de autor pertencem à autora.

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