Como a literatura infantil portuguesa está a ensinar as crianças a pensar nas eleições e na democracia

Numa altura em que se discute cada vez mais a importância da participação cívica desde idades precoces, a literatura infantil e juvenil em Portugal tem vindo a assumir um papel pioneiro no ensino de conceitos como eleições, voto e democracia. Através de histórias acessíveis, ilustradas e pensadas para leitores jovens, vários autores e iniciativas editoriais procuram explicar como funcionam as sociedades democráticas e porque é fundamental que os cidadãos — mesmo os mais novos — compreendam este universo.

No centro desta tendência está a coleção “Missão: Democracia”, uma série de livros que procura desmistificar temas complexos da vida cívica de forma simples e envolvente. Publicada pela Assembleia da República, a coleção conta já com vários títulos que exploram cidadãos, eleições, representantes e instituições, alguns deles integrados no Plano Nacional de Leitura para diferentes faixas etárias.

E se Fôssemos a Votos? — Luísa Ducla Soares

Um dos destaques mais recentes é E se Fôssemos a Votos?, de Luísa Ducla Soares com ilustrações de Rachel Caiano. Este livro, recomendado para leitores dos 9 aos 18 anos, acompanha um grupo de crianças curiosas que questiona um avô sobre o que significa uma eleição, para que serve votar e como as escolhas coletivas influenciam a vida em sociedade. Através de perguntas inocentes e explicações envolventes, a obra traduz conceitos que muitas vezes parecem abstratos em experiências familiares e escolares.

A autora, uma das mais respeitadas figuras da literatura infantil portuguesa, usa o humor e a simplicidade para tornar acessível um tema que, de outra forma, poderia parecer distante dos jovens leitores.

Leva‑me ao teu líder — Afonso Cruz

Outro título significativo da coleção é Leva‑me ao teu líder, de Afonso Cruz com ilustrações de Mariana Rio. Nesta narrativa, um extraterrestre curioso procura compreender como as decisões são tomadas numa sociedade democrática e, através de diálogos com um jovem terráqueo, descobre a importância dos eleitores, das eleições e da interação entre representantes e representados.

LEVA-ME AO TEU LÍDER

Embora não trate apenas de eleições, a obra aborda conceitos fundamentais de democracia — como liderança, participação e escolha coletiva — aproximando‑os da imaginação dos leitores mais novos.

Missão: Democracia — Uma coleção educativa

A coleção “Missão: Democracia” reúne várias outras obras que exploram diferentes aspetos da cidadania e da vida política: desde “A melhor amiga da Menina República” até “Deputados do Futuro, Olá!”, passando por temas como a primavera democrática de 25 de Abril ou a própria noção de liberdade e constituição.

Estas obras, recomendadas para idades que vão dos 6 aos 14 anos (algumas até aos 18), não se limitam a contar histórias: são ferramentas pedagógicas pensadas para escolas e famílias e ajudam a integrar a educação cívica no quotidiano dos leitores.

A melhor amiga da república

Democracia e leitura: um binómio em crescimento

Enquanto o enfoque editorial em temas cívicos cresce em Portugal, iniciativas culturais também têm colocado a relação entre livros e democracia na agenda de eventos literários. Por exemplo, o Encontro de Literatura Infantojuvenil “Caminhos de Leitura”, com edição de 2025 centrada em cidadania, direitos e democracia, sublinha a dimensão social do livro como promotor de reflexão crítica.

Conclusão
Ao aproximar temas como eleições e democracia de leitores cada vez mais jovens, a literatura infantil e juvenil portuguesa não só amplia o repertório de leitura disponível como cumpre uma função social crucial: preparar cidadãos conscientes e capazes de questionar, discutir e participar no mundo que os rodeia. Seja através de perguntas simples de crianças a um avô paciente, seja com visitantes interestelares curiosos, estes livros estão a reescrever o papel do livro na educação cívica do futuro.

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