Quem cabe no meu coração?

Atanásio, Sílvia. (2024). Quem Cabe no Meu Coração. Ilustração: Bia Cardeal. Alfarroba.

Apesar do seu tamanho, o coração é capaz de transmitir e guardar uma imensa diversidade de emoções, sobretudo as que sentimos por quem nos é próximo. Pequeno em dimensão, mas vasto em significado, o coração é um bem precioso que deve ser protegido a todo o custo, sendo apenaspossível entrar nele se se tiver à mão a chave certa.

Na obra Quem Cabe no Meu Coração, de Sílvia Atanásio(1972-), acompanhamos um jovem rapaz, vendo-o a criar memórias com a sua família e amigos e a guardar um lugar especial para cada um deles na imensidão do seu coração, que nunca para de crescer, sempre preparado para abrir espaço para tudo e todos, a vida animal e a Natureza incluídas. (Especialmente, para gelados da cor do arco-íris e bolos com recheio, é claro!)

Através de uma escrita simples, mas cheia de ritmo e melodia, as palavras rimam entre si, não só preenchendo os nossos corações de doçura, de um carinho e afeto calorosos, como também tornando a leitura mais divertida aos ouvidos dos pequenos leitores, ecoando nos seus pequenos corações. Para além disso, através de ilustrações detalhadas e coloridas, banhadas numa explosão de cores que despertam as emoções desejadas, a ilustradora Bia Cardeal realça a beleza e simplicidade dos pequenos momentos: os passados em casa com a família e na escola com os amigos e professores; o prazer de um gelado refrescante num dia soalheiro; a inocência de chapinhar em poças de água…

Em suma, estando a meio de fevereiro, este livro revela-se uma leitura especialmente adequada para o momento, pois, embora seja uma leitura breve, contém uma mensagem poderosa: ensina-nos a abrir e abraçar os nossos corações, valorizando as diferentes formas de amar. Afinal, o amor é mesmo assim: quando assaltado pela solidão e tristeza em dias cinzentos, um coração pode ser remendado se estivermosrodeados pelas pessoas que amamos e que nos amam de volta.Na verdade, nunca estamos verdadeiramente sozinhos.

Raquel Seiça

Related Posts

A História de Fernão Capelo Gaivota: voar como metáfora de liberdade

Publicado em 1970, o pequeno livro de Richard Bach tornou-se um fenómeno editorial inesperado. Uma fábula breve, quase alegórica, sobre uma gaivota que quer voar melhor — e mais alto…

Ler mais

MOMO: o tempo, a escuta e a arte de resistir

Antes de publicar A História Interminável (1979), Michael Ende já havia escrito uma das mais inquietantes parábolas do século XX: Momo (1973). Se o romance de 1979 nos fala da…

Ler mais

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *