Pipi das Meias Altas

Pippilotta Viktualia Rullgardina Krusmynta Efraimsdotter Långstrump.

Isso mesmo, este é o nome completo da Pipi das Meias Altas.

Já se percebe porque todos preferem chamar-lhe simplesmente… Pipi… das Meias Altas.

Pippilotta é uma menina irreverente, nascida da imaginação de Astrid Lindgren, autora sueca, nascida em 1907. Tudo começou quando a sua filha de sete anos, doente, pediu que lhe contasse histórias sobre uma menina chamada Pippilotta. Astrid deu então asas à imaginação, criando uma personagem única e inesquecível.

Três anos depois, em 1945, como prenda de aniversário para a criança, Astrid Lindgren publicava o primeiro livro. Seguir-se-iam mais dois, em 1946 e 1948, que viriam a ser  traduzidos e publicados em dezenas de países, com enorme sucesso:

  • Pippi das Meias Altas, 1945
  • Pippi a Bordo, 1946
  • Pippi nos Mares do Sul, 1948

As obras encontram-se, também, disponíveis no mercado português e integram o Plano Nacional de Leitura (PNL), sendo recomendadas para leitores entre os 9 e os 11 anos.

As Personagens

Pipi das Meias Altas é uma criança atrevida e invulgar. As longas tranças ruivas e as sardas irrequietas parecem ter vida própria, já para não falar das longas meias coloridas, que lhe dão o nome. Mas destaca-se, também, por outras particularidades. Tem uma força sobre-humana (consegue até levantar o seu cavalo) e é dona de um baú cheio de moedas de ouro, o que lhe permite viver sem depender de ninguém.

Na aldeia Vila Vilekula conhece Anita e Tomás, os amigos com quem irá partilhar inúmeras aventuras, juntamente com o Sr. Nilson, o pequeno macaco que Pipi traz ao ombro, e o Tiozinho, um cavalo com muita pinta (mesmo), o tal que ela até consegue levantar.


Principais valores e ideias da obra

Os relatos da obra transmitem ideias de emancipação, igualdade, liberdade, justiça e solidariedade.

Na verdade, o primeiro manuscrito foi inicialmente rejeitado pela maior editora do país, por achar o conteúdo muito controverso e temer que tivesse uma má influência nas crianças.

Entre as principais mensagens destacam-se:

  • Independência e igualdade de género: Pippi é uma menina independente que vive sozinha; desafia os estereótipos tradicionais de género, mostrando que as raparigas podem ser fortes e destemidas. Mesmo o seu visual descombinado e prático remete para a liberdade e funcionalidade, deixando para segundo plano a aparência mais cuidada que, muitas vezes, a sociedade exige.

  • Espírito crítico: O papel das crianças é posto à prova, com tacto e inteligência. Pipi questiona frequentemente as regras dos adultos quando estas não fazem sentido. Promove o pensamento livre, recusando-se a aceitar cegamente normas sociais que considera injustas.

  • Bondade e solidariedade: É muito bondosa, estando sempre pronta a defender os mais fracos e auxiliando quem mais precisa.

  • Respeito pelos animais e pela natureza: A relação de amizade que mantém com o Sr. Nilson e com o cavalo Tiozinho demonstra o carinho e a empatia que sente por todos os seres vivos.

Para a tela e para a telinha

Série

  • Em 1969 (até 1973), a história foi adaptada para a televisão. Chegou a Portugal no início dos anos 70 e foi tal a sua popularidade que a atriz Inger Nilsson (Pipi) chegou a visitar o nosso país em 1971, a convite da RTP e do Centro de Turismo Português em Estocolmo.

Filmes

  • Pippi Långstrump,1969 
    • Longa-metragem sueca baseada numa compilação das cenas da famosa série de televisão, sendo protagonizada pela mesma atriz.
  • The New Adventures of Pippi Longstocking, 1988 
    • É um musical, coprodução entre a Suécia, Alemanha e os EUA. Embora o título sugira novas aventuras, trata-se, na realidade, de uma adaptação da história original.
  • Pippi Longstocking, 1997
    • Série de animação, produzida em conjunto pelo Canadá, Alemanha e Suécia, contando com duas temporadas, de 1997 a 1998.

Prémios

Ao longo da carreira, Astrid Lingdren foi agraciada com inúmeros prémios.

Entre eles, o “Hans Christian Andersen”, em 1958, o “Nils Holgersson”, em 1950, o Prémio Nacional de Literatura Sueca, em 1957, e a Medalha de Ouro da Academia Sueca, em 1971.

Em 1967, a sua editora criou o Prémio Astrid Lindgren, concedido a autores de literatura infantojuvenil em língua sueca. O prémio foi, depois, substituído, em 2002, pelo ALMA – Prémio Memorial Astrid Lindgren, atualmente um dos mais prestigiados prémios mundiais da literatura para a infância, distinguindo escritores, ilustradores e organizações que promovem a leitura e os direitos das crianças.

A obra da escritora faz parte do Cânone Cultural da Suécia – lista oficial de obras e realizações relevantes e representativas da herança cultural do país.

E, em 2023, a BBC Culture incluiu Pipi das Meias Altas entre “Os 100 melhores livros infantis de todos os tempos”.

Alexandra Maria Duarte

Fontes

Créditos das imagens

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