Bananas Bananas

Já alguma vez tropeçaram numa casca de banana? Ou imaginaram usá-la como chapéu, fantoche, cabeleira, acessório ou até mesmo como pincel? Pode não parecer, mas as cascas de bananas são tão nutritivas quanto divertidas, podendo ser reutilizadas, para além da compostagem, como fonte de inspiração artística, algo que o autor, pintor e ilustrador francês Rémi Courgeon nos demonstra em Trop de bananes, ou, na sua versão traduzida, Bananas Bananas.

Entre ilustrações vibrantes, extravagantes e de grandes dimensões, que dão cor e movimento à história, conhecemos Any, uma pintora deveras excêntrica; o seu avô Didi, também pintor, obcecado pelo mar, a sua eterna musa; e o narrador, Max, um rapaz de dez anos de idade com um metro e setenta e cinco de altura, amigo e autoproclamado “guarda-costas” da Any. Tal como o seu avô, Any possui paixão, garra e persistência pela pintura. Aquilo que, para alguns, pode ser uma obsessão, para ela é a sua vida: captar a essência do seu foco de inspiração, seja nos ratos que o seu gato Buli lhe traz, nas mãos do seu avô ou até nas cascas das bananas do pequeno-almoço, repetindo o mesmo esboço as vezes que forem necessárias e explorando, assim, tonalidades, traços, ângulos, formas, posições e panoramas. Contudo, ela fez uma pausa na sua prática quando o avô Didi sofreu um acidente no mar. Conseguirá o avô Didi estar presente no dia da exposição da sua neta? Pintará Any de novo?

Em suma, numa narrativa fresca e divertida, com personagens peculiares, esta história convida-nos a seguir as nossas paixões e a transformar sonhos em realidade, mesmo quando parecem absurdos ou ridículos para os outros. Não devemos ter vergonha de quem somos e do que nos faz felizes, pois é quando nos aceitamos que nos tornamos verdadeiramente corajosos e inabaláveis – qualidades que o autor Rémi Courgeon destaca nas suas obras, sobretudo nas suas personagens femininas.

Courgeon, Rémi. (2025). Bananas Bananas. 1.ª edição. Ilustração: Rémi Courgeon. Orfeu Negro.

Raquel Seiça

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