
Do livro para a tela
Coraline é um livro infantojuvenil de fantasia, que abraça o terror e o suspense. Foi escrito pelo autor britânico Neil Gaiman, em 2002, e recebeu prémios como o Hugo e o Nébula (principais galardões da literatura de ficção científica e fantasia).
A história apresenta-nos Coraline, uma menina de 11 anos, inteligente e curiosa, que se vê enredada numa aventura quando ela e os seus pais se mudam para uma nova casa. Aí, ela descobre uma porta que a leva para outra casa, aparentemente igual à sua, onde vivem outros pais, aparentemente, iguais aos seus, e vizinhos… aparentemente, iguais aos seus…
Em breve, Coraline irá descobrir que nem tudo o que parece é.
A obra apresenta traços do absurdo, lembrando-nos um pouco de Alice no País das Maravilhas, e transporta-nos para uma realidade alternativa, onde a heroína se deverá superar. É uma viagem mágica que decorre entre dois mundos, o Real, e o Outro – onde iremos encontrar criaturas fantásticas, estranhas, perigosas e, por vezes, indecifráveis. A jovem Coraline será posta à prova, ultrapassando obstáculos que a fazem amadurecer e descobrir a sua identidade. A curiosidade e o seu sentido prático encontram paralelo na realidade, podendo levar os leitores a criar uma relação de empatia com a protagonista. A história incentiva, sobretudo os jovens, a refletir sobre a importância de nos aceitarmos, aceitarmos a nossa família e amigos, mesmo com as suas imperfeições, porque são essas as relações que são autênticas.
O livro foi adaptado para a tela pelo realizador Henry Selick, em 2009, estreando em Portugal com o nome Coraline e a Porta Secreta. Selick trouxe-nos um filme stop-motion – técnica de animação que fotografa, continuamente, objetos ou personagens em posições ligeiramente diferentes, criando a ilusão de movimento. O filme contou com as vozes de alguns atores conhecidos, como Dakota Fanning, Teri Hatcher, Dawn French, Ian MacShane, entre muitos outros. Esteve nomeado para o Óscar de melhor filme de animação em 2010, sem, contudo, sair vencedor.
Que semelhanças e diferenças poderemos encontrar entre a obra escrita e a obra audiovisual? Não se espera que um filme seja cópia fiel das páginas impressas, afinal, trata-se de uma adaptação, na qual impera a voz e o olhar dos vários intervenientes na produção cinematográfica – realizadores, argumentistas, atores, ou outros.
Detalhemos, então, um pouco, aquilo que une ou separa Coraline de Coraline e a Porta Secreta.

Diferenças:
No filme, destaca-se, desde logo, a introdução de uma personagem que não existe no livro – o
jovem Wybie. Ele torna a personagem de Coraline menos solitária e possibilita o diálogo, dando
voz a alguns pensamentos da protagonista.
Também a boneca, cópia da jovem, com botões no lugar dos olhos, aparece apenas no filme. A
sequência inicial em que assistimos ao nascimento da boneca (poderíamos dizer cosedura, já que a
boneca é costurada) é, talvez, um vislumbre do que iremos encontrar no Outro mundo.
No filme, a casa é chamada Palácio Cor-de-Rosa; no livro, não tem nome.
Dada a sua natureza, encontramos na obra escrita uma narrativa mais detalhada e introspetiva, que
nos permite alargar os horizontes da imaginação; por outro lado, o filme oferece uma história que,
embora mais condensada, encanta pela riqueza visual.
Semelhanças:
As personagens principais, como Coraline, os pais, os Outros pais, o gato preto, ou os vizinhos,
estão presentes nas duas obras, mantendo as principais características que os definem.
O enredo central, seguindo a jornada do herói, está presente tanto no livro como no filme.
Ainda que o terror seja mais intenso no livro, ambos criam uma atmosfera sombria e misteriosa,
fundamental para a trama.
Por fim, ambos partilham as temáticas que sobressaem no decorrer da história – coragem,
independência, o valor da família, o medo do desconhecido e crescimento pessoal; questões que
escapam das páginas e das telas, e com que, certamente, muitos leitores ou telespectadores se
poderão identificar.
Alexandra Maria Duarte


