
As escolhas da equipa
Foi a 17 de Maio de 1900 que “O Maravilhoso Feiticeiro de Oz” se deu a conhecer ao mundo.
Escrito por L. Frank Baum e ilustrado por W.W. Denslow, a obra teve sucesso imediato; de tal modo que, entre 1900 e 1920 o autor publicou mais 13 volumes da série Oz.
O livro encontra-se traduzido em mais de 50 línguas e teve inúmeras adaptações a outros formatos. Mas porque é que esta obra se tornou um clássico adorado por (quase) todos?

Enredo

Dorothy vivia no meio das grandes pradarias do Kansas, com o Tio Henry, que era lavrador, e a Tia Em, que era a mulher do lavrador. A casa onde viviam era pequena, pois a madeira para a construir teve de ser transportada de muito longe, numa carroça. Assim se inicia a história da pequena Dorothy e do seu cachorrinho Toto. A aventura começa quando um súbito furacão interrompe a tranquilidade dos habitantes naquele lugar. A casa de Dorothy eleva-se no ar e rodopia, incansavelmente, até ir parar a outro mundo, o Mundo de Oz: O ciclone tinha pousado a casa no chão muito suavemente – para um ciclone – no meio de uma região de maravilhosa beleza.
É recebida pela Bruxa Boa do Norte, que lhe conta que em Oz havia mais 3 bruxas: a Bruxa Boa do Sul, onde vivem os Quadlings, a Bruxa Má do Oeste, que governa os Winkies e a Bruxa má do Leste, terra dos Munchkins, que acabara de morrer porque a casa de Dorothy caíra acidentalmente em cima dela, deixando os habitantes muito felizes. Dorothy, contudo, pretende apenas regressar a casa. A Bruxa diz-lhe, então, para procurar o Feiticeiro de Oz, que vive na Cidade das Esmeraldas, pois só ele poderá ajudá-la. “A estrada para a Cidade das Esmeraldas é ladrilhada com ladrilhos amarelos,” disse a Bruxa, “por isso não te podes enganar”.
A pequena inicia, então, a sua caminhada durante a qual irá conhecer 3 amigos. O primeiro é o Espantalho. Quando percebe que a jovem vai a Oz pedir um desejo questiona se pode acompanhá-la e pedir um cérebro. “Se a minha cabeça continuar recheada de palha em vez de cérebro, como a tua, como é que eu vou saber alguma coisa?” Irão, de seguida, encontrar o Homem de Lata que pergunta se os pode seguir, pois também ele tem um pedido: “Mas uma vez eu tive cérebro, e um coração também; então, tendo experimentado ambos, eu preferiria muito mais ter um coração”. E, mais tarde, aparece o Leão, que também se junta a eles: “Então se vocês não se importarem, irei com vocês,” disse o Leão, “porque a minha vida é simplesmente insuportável sem um pouco de coragem.”
Pelo caminho irão passar por algumas situações perigosas e inusitadas, mas por fim chegam à Cidade Esmeralda: Mesmo com os olhos protegidos pelos óculos verdes, Dorothy e os seus amigos ficaram inicialmente deslumbrados com o brilho da maravilhosa Cidade. As ruas eram ladeadas por belas casas, todas construídas de mármore verde e cravejadas de esmeraldas reluzentes. Pedem, desde logo, uma audiência com o Feiticeiro, que se dispõe a ajudá-los, mas apenas se eles destruírem a Bruxa Má do Oeste.
Os amigos encetam nova caminhada, durante a qual irão viver curiosas aventuras e conhecer personagens absolutamente cativantes, como macacos alados, pequenos seres feitos de porcelana ou árvores lutadoras. Após a morte da Bruxa Má, os 4 companheiros regressam à Cidade Esmeralda para, só então, descobrirem que o feiticeiro é uma fraude. “Eu acho que você é um homem muito mau”, disse Dorothy.“Oh, não, minha querida; eu sou realmente um homem muito bom, mas eu sou um péssimo Feiticeiro, eu devo admitir.”

O falso feiticeiro tenta, então, explicar aos amigos que eles já possuem o que pedem, não sendo necessário ninguém dar-lhes coisa alguma. Contudo, eles não se convencem e, assim, o mago elabora um plano. Ao espantalho finge dar um novo cérebro: “Tem de desculpar-me por tirar a sua cabeça, mas terei de fazê-lo para colocar o cérebro no lugar certo. […] Daqui em diante você será um grande homem, porque lhe dei um monte de miolos novinhos em folha.”
Ao Homem de Lata parece oferecer um coração: Cortou um pequeno buraco quadrado no lado esquerdo do peito do Homem de Lata. Então, indo até uma cómoda, tirou um lindo coração, feito inteiramente de seda e recheado com serradura.
Por fim, aparenta dar coragem ao Leão: Foi até ao armário […] e pegou num frasco quadrado verde […]. “Beba.” “O que é isso?” perguntou o Leão. “Bem”, respondeu Oz, “se estivesse dentro de si, seria coragem. Você sabe, claro, que a coragem está sempre dentro de cada um; de modo que isso realmente não pode ser chamado de coragem até que o tenha engolido.”
O Feiticeiro só não foi capaz de ajudar Dorothy a voltar para casa. Será Glinda, a Bruxa Boa do Norte, a recordar-lhe que os sapatos de prata que traz calçados têm o poder de a fazer regressar: “Os Sapatos de Prata”, disse a Bruxa Boa, “têm poderes maravilhosos. […] Tudo o que tens de fazer é bater os calcanhares três vezes e ordenar que os sapatos te levem para onde desejes ir.”

Simbologia
A obra oferece uma narrativa cativante, cheia de personagens excêntricas e lugares mágicos. O ritmo é constante, onde cada situação antecede outra mais curiosa e onde cada personagem antecede outra mais surpreendente. Não passam despercebidas as lições a tirar da história. A caminhada da jovem é uma de amizade e de descoberta. Cada personagem reflete as incertezas, inseguranças, receios ou motivações que fazem parte de todos nós e é durante esse percurso, na simbólica estrada de tijolos amarelos, que as personagens se irão superar, ultrapassando os obstáculos com que se vão deparando. Os laços de amizade fortalecem-se e a busca interior de cada um encontra paralelo na vida real, ainda que as personagens nem sempre se apercebam disso. Ao longo da obra, verificamos que o espantalho, que tanto anseia por um cérebro, tem, recorrentemente, boas ideias que os ajudam a lidar com situações
inesperadas. O Homem de Lata, que julga nada sentir, por não ter um coração, chora com a ideia de pisar um inseto ou de poder magoar os outros. E o Leão, que se julga cobarde, não hesita em lutar com seres ferozes para defender os amigos.

Se refletirmos, até, na função dos óculos verdes, que as personagens têm de usar ao entrar na Cidade Esmeralda, verificamos que são apenas um filtro que oferecem a ilusão de uma cidade mágica governada por um poderoso feiticeiro. Basta tirá-los para reconhecer que o mágico se revela, afinal, um homem comum, não sendo necessário nenhum gesto de magia para que cada pessoa compreenda o seu próprio valor.

Talvez a lição mais importante a aprender n’ “O Feiticeiro de Oz” seja recordar que aquilo que buscamos (coragem, inteligência, sentimento, amizade, etc) já faz parte de nós – temos apenas de acreditar.
Alexandra Maria Duarte


