
Por Manuela Vieira
Num velho e gigante bosque
Vivia um estranho lobo,
Manhoso no papo, sorriso de lado,
Parecia calmo, mas sempre ligado.
Não caçava por preguiça,
Gostava de pratos feitos,
Com torresmos estaladiços
Da pele de bichos perfeitos.
Do outro lado do bosque
Viviam três irmãozinhos:
Bolão, Bolota e Bolinha,
Três porquinhos bem gordinhos.
Certa noite de luar,
Os manos ouviram o uivar,
Orelhas bem espetadas — perigo por perto,
Sabiam que o lobo era mesmo esperto.
— “Temos que agir já, pensar com cabeça,
Ou viramos jantar, sem direito a sobremesa!”
Fizeram um plano bem engenhoso,
Cada um com sua ideia, cada um orgulhoso,
Abriram o computador, foram logo pesquisar,
Na net há solução — é só saber procurar.
Bolão foi o primeiro, com visão e juízo:
— “Casa de tijolo, isso é que é preciso!
Com cimento reforçado, estrutura de respeito,
E ainda meto um jacuzzi — conforto perfeito!”
Bolota riu-se alto: — “Isso é exagerado!
Tanto trabalho assim? Nem fico motivado!
A minha será de madeira, disse resignado.”
Bolinha entrou leve, já pronto a cantar:
— “Ai, Bolota, de madeira? Para quê tanta canseira?
A minha será de palha, vou estender uma esteira.
Nem preciso de PC, nem de andar a estudar,
Trabalhar dá muito esforço — eu prefiro relaxar!”
Bolão abanou a cabeça: — “Isto vai dar errado…
O lobo já tem drone — anda todo equipado!
Ele vê tudo do alto, não falha um detalhe,
Casa fraca não resiste — basta um sopro e já falha!”
Mas eles só cantavam, cheios de confiança:
— “Quem tem medo do lobo mau? Isso é coisa de criança!”
🎶 Quem tem medo do lobo mau?
Lobo mau, lobo mau!
Quem tem medo do lobo mau?
— Eu não! Eu não! 🎶
As casas ficaram prontas
E cada um foi p’ra a sua.
Nem sombra de lobo por perto,
E a noite trouxe a lua.
Mas de repente, no céu,
A rondar em grandes círculos,
Um drone iluminado, sempre a vigiar,
No comando do lobo, já pronto a atacar.
Depressa encontrou a de palha — foi instantâneo:
Um sopro e puff! — caiu no ar, momentâneo.
Bolinha disparou, sem olhar para trás,
Correu até ao irmão, já sem conseguir mais,
Bolota abriu a porta, deixou-o entrar,
Mas o lobo não tardou — voltou a atacar.
Com força e persistência, não quis desistir,
E a casa de madeira começou a cair,
Os dois, apavorados, fugiram sem parar,
Até à casa do Bolão, que os veio salvar.
Porta bem fechada, estrutura blindada,
O lobo tentou tudo — mas não fez nada,
Tentou soprar, forçar, até se irritou,
Mas aquela construção nem um milímetro abanou.
Cansado e frustrado, o lobo desistiu,
Foi embora zangado com o plano que falhou,
Chegou a casa furioso, sem nada para comer,
E acabou por cozinhar o drone… só para não perder.
Já os três irmãos, agora reunidos,
Aprenderam a lição após sustos vividos,
No jacuzzi do Bolão, a relaxar no final,
Perceberam que o esforço é que vence o mal.
Moral da história, presta bem atenção:
Não é só tecnologia que te dá proteção,
Podes ter PC, drone e inovação —
Mas sem trabalho sério… não há salvação.
Por Manuela Vieira
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