Anunciados os vencedores do Premio Edebé 2026 de Literatura Infantil y Juvenil

Barcelona — A XXXIV edição dos Premios Edebé de Literatura Infantil y Juvenil 2026, um dos galardões mais prestigiados da literatura infantojuvenil em língua espanhola, revelou hoje os seus vencedores nas duas categorias do concurso, reforçando a importância contínua deste prémio na promoção de obras de qualidade para leitores jovens.

Categoria Infantil – Premio Edebé de Literatura Infantil

🏅 Vencedora: Paloma Bordons
📚 Obra: El Esplendor de los Mares

Autora: Paloma Bordons
Ilustradora: María Brenn

Paloma Bordons foi premiada na categoria infantil pela sua novela El Esplendor de los Mares, uma história emocionante que acompanha uma travessia transatlântica repleta de memórias familiares e reflexões sobre a história e as relações humanas. A obra, dirigida a leitores a partir de cerca de 10 anos, entrelaça passado e presente numa narrativa que destaca a empatia, as segundas oportunidades e os vínculos intergeracionais.

O Esplendor dos Mares
O Esplendor dos Mares

Uma viagem familiar de barco. Um polizão. E um destino: Buenos Aires. Esta é a história de O Esplendor dos Mares, um cruzeiro que atravessa o oceano Atlântico e, ao mesmo tempo, a memória das vivências dos seus passageiros.

A máquina de escrever da avó Teresa, emigrante para a Argentina no pós-guerra, entrelaça a sua expedição de infância com a viagem atual, revelando aos netos Tella e Pau um passado marcado pela guerra, mas também pela esperança num futuro melhor. Forjada pela dureza das circunstâncias que viveu em criança, a avó Teresa tem um carácter firme e muito protetor, mas bondoso e pontuado por muitas notas de humor.

Apesar dessa fortaleza, Teresa é surpreendida por problemas de saúde que a impedirão de cuidar dos netos durante a travessia. É então que surge Tío, uma personagem inesperada que tomará conta das crianças e conquistará a sua confiança graças à sua personalidade carismática, não isenta de luzes e sombras. A revelação da sua verdadeira identidade, de nome Mario, colocará a família perante um dilema moral: perdoá-lo ou virar-lhe as costas.

O desfecho final dependerá de saber se as próprias experiências vividas serão suficientes para recordar uma verdade fundamental: a sobrevivência nos momentos de maior vulnerabilidade exige quase sempre confiança e ajuda mútuas.

Com a resiliência como pano de fundo e uma voz próxima e emotiva, esta história embarca-nos numa viagem transformadora de reflexão sobre os vaivéns da vida e o poder das relações humanas. Em tom de humor e ternura, entrelaça aventuras do quotidiano com a memória de episódios da História recente para que, aprendendo com o passado, sejamos capazes de ser melhores no presente.

Vicenç Villatoro, jurado, sobre a obra

O Esplendor dos Mares é um texto literário ambicioso, tão bem construído e escrito que ultrapassa as convenções que por vezes atribuímos à literatura infantil. Isso permite-lhe ser simultaneamente do agrado e do interesse do público infantil e uma leitura apelativa para todo o tipo de leitores, incluindo o adulto.

Ao construir uma história paralela entre pessoas de diferentes gerações de uma família, evidencia a importância da memória e da história como elo de ligação, mais do que como motivo de diferença: as experiências paralelas vividas complementam-se em todas as direções, tanto dos mais velhos para os mais novos como no sentido inverso.

Romance de personagens, apresenta-nos uma galeria bem desenhada e empática, na qual todos têm algo a dizer e a oferecer e, sobretudo, algo a aprender e com que crescer ao longo da narrativa. Romance de aventuras, romance de navegações intensas, é um texto carregado de ação e acontecimentos, com um ritmo vivo e cativante que serve, acima de tudo, para mostrar a evolução de personagens que, no início, parecem distantes e desconfiadas entre si e que, graças às vivências partilhadas, se vão aproximando e conhecendo melhor.”

PALOMA BORDONS

Paloma Bordons

Nasceu em Madrid, em 1964. Estudou Engenharia Técnica Florestal e Filologia Hispânica. Começou a escrever muito jovem, primeiro contos para adultos e, mais tarde, histórias e romances para crianças e jovens. Publicou o seu primeiro livro em 1986 e desde então nunca deixou de escrever. Tem mais de quarenta livros publicados, que receberam, entre outros, o Prémio Edebé de Literatura Infantil, o Prémio Barco de Vapor e o Prémio Cidade de Málaga. A sua segunda grande paixão é a ilustração e, há alguns anos, ilustra sempre que pode os seus próprios livros.

A autora sobre a obra

“Há muitos anos recebi a semente desta história: a minha sogra Jennifer, que era inglesa, contou-me como, em criança, atravessou o Atlântico num petroleiro para se reunir com o pai, que estava na Venezuela a trabalhar para a Shell. A Segunda Guerra Mundial tinha acabado de terminar e não havia transporte de passageiros entre a Europa e a América, pelo que Jennifer, a mãe e o irmão viajaram, em condições precárias, num petroleiro da companhia. Achei o tema muito original e cheio de possibilidades para um romance, mas deixei-o de lado durante muito tempo, até encontrar a forma de o tornar meu.

No meu livro há também uma menina que atravessa o Atlântico num petroleiro para se reunir com o pai; mas a menina é espanhola; o ano é 1940; o pai, um derrotado da Guerra Civil que fugiu de Espanha temendo represálias. A menina viaja como polizona e a Segunda Guerra Mundial não fez mais do que começar, pelo que a travessia está cheia de riscos.

Esta trama decorre em paralelo com outra que acontece cerca de sessenta anos mais tarde: a menina, já avó, repete a viagem, desta vez a bordo de um cruzeiro, acompanhada pelos netos, Tella e Pau. As circunstâncias não poderiam ser mais distintas e, no entanto, ambas as histórias confluem, chocam e refletem-se uma na outra.”

Categoria Juvenil – Premio Edebé de Literatura Juvenil

🏅 Vencedora: May R. Ayamonte
📚 Obra: El maullido de la marisma

Na categoria juvenil, a vencedora foi May R. Ayamonte com El maullido de la marisma. A obra centra-se na jovem Vera e no seu compromisso com a protecção da natureza, em particular com a sobrevivência do lince ibérico. Através de uma narrativa que combina consciência ecológica e formação pessoal, Ayamonte traça um percurso de crescimento e compromisso ambiental junto de leitores mais velhos.

O Miado da Marisma
O Miado da Marisma

Vera, uma rapariga nascida nos anos setenta, numa família que vive no Parque Nacional de Doñana — onde o pai trabalha como guarda —, conhece aos dez anos o ser que marcaria para sempre o rumo da sua vida: o lince Félix. Este encontro fortuito, que culmina com a adoção do animal como mais um membro da família, acenderá a centelha da vocação da protagonista: preservar o legado da fauna e da flora do parque.

Imbuída de uma forte ligação à natureza, Vera, cuja mãe é professora, cedo perceberá que só através de uma educação sólida poderá alcançar o seu objetivo de salvar a população do lince-ibérico da extinção. Apesar das dificuldades, das perdas e dos riscos, à medida que cresce vai aproximando-se cada vez mais da sua meta graças à perseverança, ao trabalho em equipa e ao apoio do seu círculo mais próximo.

A ética do cuidado para com os seres vivos e a importância de uma intervenção humana responsável são os eixos narrativos de um relato sobre legado e coragem face à adversidade. Curiosidade científica e paixão pela aprendizagem caminham lado a lado num texto que destaca o papel da formação como catalisador do desenvolvimento pessoal e profissional e como meio de transmissão de conhecimentos e valores de geração em geração.

A obra afirma-se como um manifesto a favor da solidariedade, do esforço e da responsabilidade partilhada enquanto agentes de mudança capazes de gerar resultados reais no meio envolvente e de transformar a sociedade.

Rosa Navarro Durán, jurada, sobre a obra

“Todos nos gabamos de ser uns linces, mas sabemos que, ainda há pouco tempo, o lince-ibérico — o nosso — era uma espécie em perigo de extinção? Pois já não é, ainda bem! Caso contrário, teria desaparecido o modelo para o ser e, além disso, um felino único e belíssimo: que olhos!, que pelagem malhada!, que orelhas rematadas em pincéis! Mas não íamos falar do Prémio Juvenil da Edebé? O que vem agora esta exaltação dos linces e esta alegria por ser uma espécie protegida e não à beira do desaparecimento? Pois… por O Miado da Marisma.

A protagonista, Vera, aos dez anos estabelece um vínculo especial com Félix, um lince! Para ela, Félix é único entre os linces; e, para ele, Vera é única entre todos os seres humanos. Neste maravilhoso romance, Vera vai contar-nos a sua vida a partir desse momento mágico e também falar-nos de Félix e dos linces — quanto aprendemos sobre eles!, quanto nos divertimos! E, sobretudo, quanto nos emocionamos com a história desta amizade única! Depois de o lermos, nunca mais poderemos esquecer Félix, que será Felisa. E porquê? É um dos mistérios que este apaixonante relato encerra. E, certamente, ao lê-lo, seremos amigos de todos os linces e perceberemos como é importante defender essa natureza maravilhosa que herdámos e que precisa da nossa ajuda, sim! E, ao mesmo tempo, aprenderemos a ser… uns linces.”

Obra apresentada em castelhano, dirigida a leitores a partir dos doze anos.
Publicação: 25 de março de 2026.

Excerto

“As minhas lágrimas caíam como pó de estrela sobre a erva húmida. À medida que me agachava e o afastava de mim, a tristeza começava a subir-me pela garganta. Sentia o corpo completamente gelado e, só de pensar que tinha de deixar o Félix sob aquele frio, partia-se-me o coração. Dei-lhe um beijo na cabeça, entre as orelhas pontiagudas, e depois afastei o olhar enquanto o deixava sobre a erva.”

MAY R. AYAMONTE

May R. Ayamonte

Nasceu em Ayamonte, em 1996. É licenciada em Estudos Ingleses e possui dois mestrados, um em Ensino e outro em Literatura com Perspetiva de Género. Vive em Granada, cidade onde se passam as suas mais recentes novelas para adultos. Dedica-se atualmente a dinamizar palestras de promoção da leitura em escolas e liceus, atividade que concilia com a docência em escrita criativa e com a criação literária, que desenvolve sem interrupções desde os doze anos. Até à data, publicou catorze romances, entre os quais se destacam a trilogia iniciada com Las niñas salvajes ou Lo que oculta la noche, obras que receberam excelente acolhimento por parte de leitores e crítica. Cultiva igualmente o género juvenil, com títulos como Canela y sal ou Mar profundo.

A autora sobre a obra

“Sou de Huelva, de Ayamonte, e a novela passa-se na parte de Doñana que pertence à mesma província. Desde pequena vivi rodeada de animais, porque os meus pais sempre trabalharam no setor dos animais de companhia; cresci a dar de comer a coelhos, hamsters, até iguanas!, e a limpar gaiolas, viveiros e aquários. A minha casa era sempre como um zoológico, porque todos os animais que ninguém queria ou que eram abandonados perto dos meus pais acabavam lá em casa.

Tenho também uma ligação especial às marismas, pois venho de uma zona de marismas e zonas húmidas. Estive muitas vezes em Doñana e visitei o Observatório do Lince-Ibérico; sou uma grande admiradora do trabalho que foi feito para recuperar o lince-ibérico. Enquanto escrevia o livro, voltei a visitar Doñana, embora já lá tivesse estado muitas vezes. Sou apaixonada por sair para apanhar cogumelos, espargos, observar aves e tudo o que tenha a ver com passar tempo no campo.

Além disso, escrevi este livro com uma consciência muito clara do papel das mulheres no âmbito da ciência, algo que procuro transmitir nas minhas obras.”

📚 Um prémio em crescimento

A edição de 2026 registou um aumento notável de participação, com 520 originais submetidos, um crescimento de quase 150% face ao ano anterior, reflectindo o dinamismo e a vitalidade da comunidade de autores de literatura infantojuvenil.

Os Premios Edebé, organizados anualmente desde 1993, destacam-se pela sua longa tradição e pelo papel central que desempenham no fomento da leitura entre crianças e jovens, apoiando autores emergentes e consagrados e ampliando o alcance da literatura jovem em várias línguas e países..

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