A Menina que Lambeu o Gato – Recensão Crítica

Miranda Ribeiro, Adriana. (2025). A Menina que Lambeu o Gato. Ilustração: Célia Torres. Cineclube de Guimarães.

De certa forma, a leitura vai além do imaginário e do fantástico. É também uma arte que permite aos autores integrarem, nas páginas das suas histórias, um pedaço de si, consciencializando os leitores para a realidade desafiadora que a vida nos impõe diariamente. Foi com este propósito que a autora Adriana Miranda Ribeiro escreveu A Menina que Lambeu o Gato, uma obra cujo título, à primeira vista, sugere leveza e humor, mas que aborda um tema delicado e crítico.

Esta é a história de Laura, uma menina curiosa e atenta aos detalhes, e da sua mãe – a sua heroína –, cujo mundo, de repente, perdeu as cores. Laura acaba por descobrir que a sua mãe sofre de uma doença chamada acromatopsia, uma condição genética que afeta a perceção das cores. Decidida a devolver-lhe a alegria desse mundo, Laura tenta de tudo: receita-lhe pintarolas coloridas e pipocas doces, dá-lhe beijinhos, faz-lhe cócegas e leva-a a passear ao ar livre. Contudo, nada é o que parece…

Através de um tom esperançoso e envolvente, poético até, e de ilustrações construídas a partir de recortes e colagens, que oferecem à narrativa uma sensação de conforto e segurança, Adriana Miranda Ribeiro, a ilustradora Célia Torres e todos os envolvidos no projeto alertam-nos para uma luta ainda por vencer: o cancro infantil, que continua a ser uma das principais causas da mortalidade infantil em Portugal. Esta obra conta com o apoio de instituições como a Hydrumedical, a Newpet, a Câmara Municipal de Vila do Conde e a PortoWellcome, entre outras, sendo que 100% dos lucros revertem para a Fundação Rui Osório de Castro, cuja causa é apoiar a investigação em Oncologia Pediátrica.

Esta obra proporciona uma leitura sensível, tocante e poderosa, concentrando-se, não na dor e na mágoa do processo, mas sim na coragem e na força de espírito, às quais a autora se teve de agarrar quando, em 2019, soube que a sua filha tinha sido diagnosticada com leucemia. Em suma, trata-se de uma obra que transporta uma voz de esperança, lembrando-nos de não sucumbir à nossa própria tristeza e de continuar a procurar uma melhor qualidade de vida para o futuro dos mais pequenos.

Raquel Seiça

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