
Num contexto cultural marcado pela aceleração, pelo consumo rápido de conteúdos e pela crescente mediação digital da infância, a revista Triciclo surge como um projeto editorial deliberadamente contra-corrente. Dirigida a leitores mais novos, mas concebida com uma clara consciência dos mediadores — educadores, professores, bibliotecários e famílias —, a revista propõe uma experiência de leitura assente no tempo, na curiosidade e na complexidade do pensamento infantil.
Longe da lógica utilitária ou estritamente pedagógica, Triciclo aposta numa abordagem interdisciplinar que cruza literatura, artes, ciência, filosofia e observação do quotidiano. Cada número organiza-se em torno de um tema agregador, desenvolvido através de textos literários, reportagens, entrevistas, jogos, propostas criativas e desafios de pensamento. A criança não é tratada como um recetor passivo de conteúdos, mas como um sujeito capaz de formular perguntas, estabelecer relações e construir sentidos.
Um dos aspetos mais distintivos da revista é a recusa de um discurso simplificador ou infantilizado. Os textos dirigem-se às crianças com rigor e respeito, partindo do princípio de que a inteligência não depende da idade, mas da forma como se convoca o leitor. Essa opção editorial reflete-se também na escolha dos colaboradores: escritores, ilustradores, investigadores e criadores reconhecidos nas suas áreas aceitam o desafio de comunicar com clareza sem abdicar da profundidade.
A dimensão visual da Triciclo merece igualmente destaque. O projeto gráfico é pensado como parte integrante da narrativa da revista, promovendo uma leitura atenta e exploratória. Ilustração, tipografia e paginação dialogam com os textos, criando ritmos, pausas e zonas de respiração. Num mercado frequentemente dominado por produtos visuais ruidosos, a revista assume uma estética contida, mas expressiva, que valoriza o olhar e a interpretação.

Mais do que um objeto editorial, Triciclo propõe uma atitude cultural. O próprio nome evoca movimento, aprendizagem progressiva e equilíbrio — pedalar implica esforço, mas também prazer e descoberta. Esta metáfora atravessa todo o projeto: ler não como obrigação escolar, mas como prática de liberdade, de atenção e de prazer intelectual.
Num momento em que a leitura em papel enfrenta desafios significativos, sobretudo junto dos públicos mais jovens, Triciclo afirma a relevância dos projetos editoriais independentes, sustentados por uma visão clara e coerente. A revista contribui para a formação de leitores críticos, sensíveis e curiosos, mostrando que a infância é um território legítimo para o pensamento complexo e para a fruição estética.
Ao recusar a pressa e ao valorizar a qualidade em detrimento da quantidade, Triciclo ocupa um lugar singular no panorama da edição infantil e juvenil em Portugal. Mais do que acompanhar tendências, a revista constrói um caminho próprio, reafirmando que ler, pensar e imaginar continuam a ser gestos fundamentais — especialmente quando feitos devagar.



Boa noite!
É com enorme agrado e gratidão que acolhi a notícia e a divulgação, no âmbito da revista CRESCENTE FÉRTIL-Uma Escalada Literária, cuja primeira edição data, oficialmente, do passado dia 17 de janeiro.
De facto, muito nos honra e privilegia a presença da escritora Gizela De Brito na revista, contribuindo, indelevelmente, para o profundo enriquecimento do conteúdo, da estética e da personalidade da mesma (revista). No entanto, devo esclarecer que a mentora do projeto é a Agostinha Pópulo.
Uma vez mais, muito agradeço a nobre divulgação da CRESCENTE FÉRTIL e as elogiosas palavras que lhe são dirigidas.
Cordiais cumprimentos,
Agostinha Pópulo
Gratos pela correção, que foi já efetuada.
Com enorme prazer, e que muito me honra, fui convidada pela professora e escritora Agostinha Pópulo, mentora do Projeto, Revista Infantojuvenil Crescente Fértil para fazer parte da equipa.
Não sendo, por isso mesmo, a mentora do Projeto.
Agradeço,
Gizela De Brito- A Sussurradora d’Estórias